Um dos criadores da IA afirma: ela acabará com empregos e aumentará a desinformação

O renomado cientista da computação, Dr. Geoffrey Hinton, decidiu renunciar ao seu cargo no Google com o intuito de conscientizar as pessoas sobre os perigos da inteligência artificial (IA) e advogar por regulamentações internacionais.

Hinton é considerado um pioneiro no campo da IA e suas contribuições foram fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias como reconhecimento de objetos em imagens e o ChatGPT, ferramenta criada pela OpenAI.

Redes neurais artificiais

Em entrevista ao The New York Times, Hinton revelou que parte dele lamenta o trabalho de sua vida e expressou preocupação com os riscos associados ao avanço descontrolado da IA.

Ele argumenta que é difícil prevenir que pessoas mal-intencionadas utilizem essa tecnologia para fins nefastos, e acredita que a falta de regulamentação adequada pode levar a consequências graves.

Ao contrário de outros especialistas proeminentes, que assinaram uma carta aberta pedindo uma pausa nos avanços da IA, Hinton preferiu evitar críticas públicas ao Google e outras empresas até deixar seu cargo.

Em abril, ele informou oficialmente sua renúncia à empresa e teve uma conversa com Sundar Pichai, CEO da Alphabet, empresa-mãe do Google, sobre suas motivações e preocupações.

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O padrinho da IA

As contribuições de Hinton para a pesquisa em IA são amplamente reconhecidas.

Desde 1972, quando começou a desenvolver redes neurais, ele dedicou sua carreira a aprimorar esses sistemas de aprendizado de máquina.

Redes neurais artificiais

Em 2012, em parceria com dois de seus alunos, Hinton construiu uma rede neural capaz de analisar milhares de fotos e aprender a identificar objetos comuns do cotidiano.

O Google adquiriu uma empresa fundada por Hinton e seus alunos, e essa tecnologia impulsionou o desenvolvimento de sistemas mais avançados, incluindo o tão comentado ChatGPT.

Perigos da IA

Inicialmente cético em relação ao uso de redes neurais para a compreensão e geração de linguagem, Hinton mudou de opinião ao longo do tempo.

Ele acredita que os sistemas de IA atuais, embora ainda não sejam tão poderosos quanto o cérebro humano em alguns aspectos, têm o potencial de superar a inteligência humana em outras áreas.

Hinton também manifestou preocupação com o impacto da IA no mercado de trabalho, temendo que além das tarefas repetitivas, também possa substituir empregos mais complexos.

Ele alerta também para a possibilidade de inundação da internet com fotos, vídeos e textos falsos, tornando cada vez mais difícil distinguir a verdade da falsidade.

Há uma saída?

O cientista argumenta que a única esperança da humanidade é que os principais cientistas do mundo colaborem para controlar a tecnologia.

Ele enfatiza a importância de compreender completamente os riscos e limitações da IA antes de avançar ainda mais.

Enquanto isso, o Google afirma estar comprometido com uma abordagem responsável em relação à IA, buscando constantemente entender os riscos emergentes e inovar com cautela.

A renúncia de um dos nomes mais influentes no campo da IA, como Dr. Geoffrey Hinton, coloca em evidência as preocupações crescentes sobre os possíveis impactos negativos da IA.

A medida que empresas como o Google e a OpenAI continuam a aprimorar suas tecnologias, torna-se crucial abordar questões éticas, de privacidade e segurança associadas ao uso desses sistemas.

Dr. Hinton ressalta que a competição acirrada entre gigantes da tecnologia, como Google, Microsoft e outras empresas, pode levar a uma corrida mundial desenfreada no desenvolvimento da IA, a menos que haja uma forma de regulamentação global.

No entanto, ele também reconhece que alcançar tal acordo pode ser extremamente desafiador.


As preocupações levantadas pelo Dr. Hinton refletem uma crescente consciência sobre as implicações da IA em diversos aspectos da sociedade, desde a economia e o emprego até a confiabilidade da informação e a privacidade dos indivíduos.

Essas questões não devem ser subestimadas, e é necessário um debate aberto e inclusivo para garantir que a IA seja desenvolvida e utilizada de forma ética e responsável.